Congresso pede intervenção na Enel via Aneel

Deputados federais de São Paulo formalizam ofício ao presidente da Câmara cobrando ação imediata do governo federal. Iniciativa ocorre com 35 mil imóveis ainda sem luz após apagão que afetou 2 milhões.

A bancada paulista na Câmara dos Deputados pediu nesta segunda-feira intervenção imediata do Ministério de Minas e Energia na concessionária Enel. O pedido foi formalizado por meio de ofício ao presidente da Casa, Hugo Motta. A solicitação prevê atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica na fiscalização e punição da empresa. O apagão em São Paulo completa uma semana nesta segunda com milhares de imóveis ainda sem energia.

O documento foi liderado pelo deputado Baleia Rossi, presidente nacional do MDB. O parlamentar já havia protocolado queixa contra a Enel diretamente na Aneel. A iniciativa conta com assinatura do coordenador da bancada paulista, Jonas Donizette, do PSB. Os deputados ressaltam que a solicitação visa proteger o interesse público.

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Segundo dados da própria Enel, 35,2 mil instalações permanecem sem luz em 24 municípios paulistas. A capital concentra 24,2 mil clientes afetados. O apagão teve início na terça-feira com a passagem de ciclone extratropical. Ventos de até 98 quilômetros por hora derrubaram árvores e danificaram infraestrutura elétrica.

A bancada paulista afirma que o pedido está alinhado com autoridades locais. O governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes apoiam a medida. Ambos já manifestaram publicamente insatisfação com os serviços prestados pela concessionária italiana. O governador declarou ser contra renovação do contrato da Enel.

Pressão política aumenta sobre concessionária

O governo de São Paulo oficializou neste domingo pedido formal de intervenção na concessão da Enel. O comunicado oficial do Palácio dos Bandeirantes critica a incapacidade técnica da empresa. O texto menciona fracasso do modelo federal em avaliar qualidade da prestação de serviço.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo atua na fiscalização local. A Arsesp encaminhou recomendações e avaliações técnicas à Aneel sobre degradação do serviço. O órgão estadual aponta descompasso entre indicadores regulatórios e realidade vivida pela população.

O governo estadual cita eventos de falta de energia mais significativos desde 2023. Reclamações na ouvidoria da própria Aneel aumentaram exponencialmente. A concessionária recebeu multas superiores a 400 milhões de reais nos últimos sete anos. Segundo autoridades paulistas, não houve melhora efetiva do serviço prestado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou rigor absoluto na fiscalização da distribuição de energia. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, foi convocado para reunião emergencial. O encontro no Palácio do Planalto discutiu medidas para resolver crise energética paulista.

TCU recomenda análise de intervenção

O Tribunal de Contas da União emitiu recomendação importante sobre o caso Enel. A Unidade de Auditoria Especializada em Energia Elétrica e Nuclear pediu análise detalhada de possível intervenção. A área técnica do TCU afirma haver recorrência de eventos críticos. O órgão aponta degradação sistêmica na qualidade dos serviços.

A recomendação do TCU se baseia em avaliação técnica rigorosa. Segundo auditores, melhorias apresentadas pela Enel foram pontuais e emergenciais. As ações da empresa não comprovam correção definitiva das falhas estruturais. A distribuidora não demonstrou capacidade de manter desempenho adequado sob condições críticas.

O TCU considera inadequado renovar concessão com falhas graves não resolvidas. A Enel pediu antecipação da análise de prorrogação do contrato por mais 30 anos. O tribunal alertou sobre incompatibilidade entre renovação e existência de problemas sistêmicos. A decisão final sobre intervenção caberá à própria Aneel.

O Ministério Público no TCU recomendou suspensão de atos relacionados à renovação contratual. O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado afirmou haver violação constitucional. O órgão considera essencial evitar perpetuação de concessões que não atendem padrões legais.

Aneel cobra explicações sobre apagão

O diretor da Aneel Fernando Mosna cobrou explicações formais da Enel São Paulo. O regulador enviou ofício ao presidente da distribuidora, Guilherme Lencastre. O documento questiona resposta da companhia durante ciclone extratropical. Mais de 2 milhões de unidades consumidoras ficaram sem luz.

A cobrança acentua pressão regulatória sobre a concessionária italiana. A concessão está em disputa e sob risco de caducidade. Descumprimentos contratuais recorrentes motivam fiscalização reforçada. Esta é a terceira grande interrupção em pouco mais de dois anos.

A Enel afirma ter reduzido em 90% as interrupções superiores a 24 horas. A empresa apresentou dados do período entre novembro de 2023 e outubro de 2025. A concessionária cita investimentos de 10,4 bilhões de reais previstos até 2027. A companhia defende que cumpre integralmente obrigações contratuais.

O apagão de novembro de 2023 deixou 2 milhões de consumidores sem energia. Fortes temporais causaram danos extensos à infraestrutura. O problema se repetiu no final de 2024 afetando quase 3 milhões de pessoas. A repetição de falhas graves motivou monitoramento intensificado.

Histórico de problemas acende debate

O ministro Alexandre Silveira já alertou formalmente a Aneel desde 2023. O titular da pasta cobra fiscalização rigorosa e aplicação imediata de sanções. O governo federal avalia continuidade da concessão sem complacência. Decreto editado em 2024 endureceu regras de fiscalização das distribuidoras.

Novos modelos de contratos para renovações passaram a ter exigências mais rígidas. O ministro afirmou que a Enel só renovará contrato cumprindo todas as exigências. Regras técnicas e regulatórias tornaram-se condicionantes essenciais. O governo federal busca evitar repetição de crises no fornecimento.

A discussão sobre intervenção tornou-se teste de força político. Embora critique publicamente a empresa, o ministro Silveira atua nos bastidores. A visão do governo federal considera impactos de eventual afastamento do grupo italiano. Autoridades temem insegurança jurídica em ano pré-eleitoral.

Politicamente, intervenção é vista como benefício ao governador Tarcísio de Freitas. O republicano poderia apresentar-se como solucionador dos apagões. Tarcísio mobilizou bancada parlamentar e prefeitos para pressionar órgão regulador. O governador fez pressões pela ingerência administrativa ou cassação da concessão.

Impactos do apagão atingem múltiplos setores

Os apagões recentes causaram prejuízos à segurança pública paulista. O comércio registrou perdas estimadas em 1,54 bilhão de reais. A Federação do Comércio de São Paulo calculou impacto no faturamento. Serviços essenciais em diversas cidades foram comprometidos.

Mais de 200 semáforos permaneceram desligados contribuindo para congestionamentos. Os aeroportos de Congonhas e Guarulhos somaram 408 voos cancelados. Hospitais enfrentaram dificuldades operacionais durante período crítico. A falta de energia impactou diretamente qualidade de vida dos cidadãos.

O fornecimento de água foi comprometido em diversos bairros. A Companhia de Saneamento Básico do Estado teve bombas paralisadas. Os equipamentos dependem de eletricidade para operar. Regiões densamente povoadas enfrentaram desabastecimento simultâneo de luz e água.

A Justiça de São Paulo determinou retorno imediato da energia. O Ministério Público estadual e a Defensoria Pública ajuizaram ação civil pública. A decisão estabeleceu multa horária em caso de descumprimento. A magistrada fixou prazos específicos para normalização do serviço.

Contrato vence em 2028 com renovação em disputa

O contrato atual da Enel São Paulo tem validade até 2028. A concessionária já solicitou renovação à Aneel. A análise do pedido ocorre em meio a crise reputacional severa. Autoridades questionam viabilidade de prorrogação com histórico de falhas.

O debate sobre futuro da concessão mobiliza múltiplos atores institucionais. Governos municipal, estadual e federal divergem sobre melhor solução. A bancada paulista defende adoção de medidas emergenciais. Os deputados cobram abertura de procedimento para apurar responsabilidades.

O documento entregue a Hugo Motta solicita ações corretivas e preventivas. A bancada quer plano transparente de investimentos como condição mínima. Os parlamentares buscam recuperar confiança da população no serviço. A definição sobre intervenção ou cassação deve ocorrer nos próximos meses.

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