O cenário político nacional para as eleições presidenciais de 2026 sofreu uma movimentação tectônica com a divulgação da nova pesquisa Genial/Quaest nesta quarta-feira. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emerge como a figura central da oposição, superando numericamente outros governadores de direita que eram vistos como potenciais sucessores. Os dados mostram que o parlamentar herdou a base fiel de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, mantendo uma competitividade sólida.
No levantamento estimulado de primeiro turno, Flávio aparece com 23% das intenções de voto, isolando-se na segunda colocação. O desempenho do senador é superior ao de nomes como Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado em diversos cenários testados. A pesquisa indica que a estratégia de manter o sobrenome em evidência surtiu efeito direto na memória do eleitorado conservador, que busca uma alternativa direta ao atual governo.
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A maior surpresa do levantamento, no entanto, reside na percepção de viabilidade da candidatura. Cerca de 54% dos entrevistados acreditam que Flávio levará a disputa até o final, afastando teses de que ele seria apenas um “balão de ensaio” para negociar cargos ou composições regionais. Essa mudança de leitura fortalece o poder de barganha do senador dentro do próprio Partido Liberal e perante as legendas do Centrão.
O fator Tarcísio e a hegemonia da direita
A comparação direta com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, revela um dado estratégico para o clã Bolsonaro. Embora Tarcísio seja visto como um nome técnico e moderado, é Flávio quem consegue reter o voto ideológico com maior eficiência neste momento. Em cenários de segundo turno, o senador oscilou positivamente para 38%, encurtando a distância para o atual presidente da República de forma mais acentuada que em rodadas anteriores.
A análise dos dados sugere que a direita brasileira pode estar caminhando para uma unificação precoce em torno do parlamentar. Analistas políticos observam que o crescimento de Flávio reduz o espaço para candidaturas de “terceira via” dentro do espectro conservador. O desempenho consistente do senador em estados do Sul e Sudeste, reafirma a resiliência do capital político da família Bolsonaro mesmo sob pressão jurídica.
Cenários de polarização e o futuro do PL
A estratégia do PL agora deve focar na redução da rejeição do senador, que ainda é um obstáculo para o crescimento em fatias mais moderadas do eleitorado. Contudo, o “frescor” dos números atuais dá ao partido a segurança necessária para avançar com o plano de pré-campanha. A liderança de Flávio sobre governadores do Sul e Sudeste impõe um novo ritmo às conversas de bastidores em Brasília.
O foco agora se volta para as convenções partidárias. Com o apoio formal do pai e uma base de seguidores engajada, Flávio Bolsonaro inicia 2026 com o status de principal desafiante ao Palácio do Planalto. A manutenção desse patamar dependerá da capacidade de articulação com setores do mercado e da agricultura, que começam a reavaliar a viabilidade eleitoral do senador diante da fragmentação de outros nomes da oposição.