O Ministério do Meio Ambiente enfrenta uma nova onda de questionamentos sobre a transparência do Fundo Amazônia neste final de 2025. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) recebeu a quantia vultuosa de R$ 35 milhões. No entanto, o detalhamento das despesas revela que a maior parte desse valor não financiou o combate direto ao desmatamento.
A polêmica ganha corpo devido à relação institucional da ministra Marina Silva com a entidade beneficiada. A chefe da pasta ocupa o cargo de conselheira honorária da organização, o que gera críticas sobre possíveis privilégios na alocação de recursos. Documentos apresentados por comissões parlamentares indicam que o IPAM priorizou despesas administrativas em detrimento de projetos de campo.
Dados consolidados apontam que aproximadamente R$ 24 milhões foram gastos exclusivamente com consultorias internas e viagens internacionais. Essa distribuição orçamentária levanta dúvidas sobre a eficiência do maior instrumento de preservação florestal do mundo. O governo federal agora precisa lidar com a pressão de doadores estrangeiros, como a Noruega e a Alemanha, que exigem resultados mensuráveis.
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A oposição no Congresso Nacional protocolou pedidos de auditoria junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para verificar as notas fiscais emitidas. Consequentemente, a cúpula do Ministério do Meio Ambiente deve apresentar explicações detalhadas sobre os critérios de escolha das entidades parceiras. O clima é de desconfiança entre os parlamentares que fiscalizam as ações do Executivo na região amazônica.
Investigação sobre consultorias e viagens
A análise profunda dos extratos bancários da ONG mostra que as passagens aéreas e hospedagens consumiram recursos que poderiam equipar brigadas de incêndio. Além disso, as consultorias contratadas possuem vínculos diretos com ex-integrantes da própria estrutura governamental. Esse modelo de gestão é duramente criticado por setores técnicos que defendem a aplicação direta de verbas em tecnologias de monitoramento via satélite.
Ademais, a discrepância entre o objetivo formal do fundo e a execução prática alimenta o discurso de falta de governança. Parlamentares afirmam que o argumento de “apoio institucional” perde força quando a maior fatia do orçamento se dissolve longe da floresta real. Segundo dados oficiais atualizados nesta semana, a fiscalização ambiental enfrenta um déficit histórico que poderia ser mitigado com esses investimentos milionários.
Recorde de destinação e falta de controle

O Fundo Amazônia atingiu marcas históricas de arrecadação e desembolso ao longo do ano de 2025. O montante total destinado a projetos sustentáveis superou a barreira de R$ 1 bilhão no primeiro semestre, mas o controle de qualidade permanece falho. A sociedade civil cobra mecanismos mais rígidos de acompanhamento para evitar que as ONGs se tornem cabides de empregos para aliados políticos.
Nesse sentido, a credibilidade internacional do Brasil depende da capacidade de demonstrar transparência absoluta no uso de recursos externos. Conforme a declaração de especialistas financeiros, a eficácia do mecanismo inovador de financiamento está sob risco caso as irregularidades sejam confirmadas. A gestão de Marina Silva entra em 2026 com o desafio de blindar o fundo contra interferências políticas diretas.