A desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu para 52% em dezembro de 2025, de acordo com dados da pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira (18). O índice representa um recorde negativo para o atual mandato e confirma uma tendência de desgaste que vem sendo monitorada desde o início do segundo semestre.
A aprovação, por outro lado, recuou para 45%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que coloca o governo em uma zona de alerta crítico para as articulações de 2026.
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O principal motor da insatisfação popular é a percepção sobre a economia brasileira. Para 58% dos brasileiros, a situação financeira do país piorou nos últimos seis meses, citando especialmente a alta no preço dos alimentos e o endividamento das famílias.
Segurança e corrupção pesam na imagem pública
Além da pauta econômica, a segurança pública aparece como o segundo maior motivo de desaprovação. O avanço do crime organizado e a sensação de impunidade em grandes centros urbanos fizeram com que 62% dos eleitores avaliassem a gestão do setor como “ruim ou péssima”.
Outro fator que contribuiu para o salto na desaprovação foi a condução das relações com o Congresso Nacional. A liberação recorde de emendas parlamentares em troca de apoio legislativo é vista por 49% da população como uma prática que favorece a corrupção.
No recorte regional, o governo enfrenta forte resistência no Sul e no Centro-Oeste, onde a desaprovação ultrapassa os 60%. O Nordeste segue sendo a única região onde a aprovação de Lula permanece acima dos 50%, embora tenha registrado uma queda de quatro pontos em relação ao mês anterior.
Reflexos na sucessão presidencial de 2026
Os números acenderam o sinal vermelho na Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom). Analistas políticos avaliam que a desaprovação acima de 50% dificulta a transferência de votos para um eventual sucessor caso o presidente decida não disputar a reeleição.
Em contrapartida, nomes da oposição como Nikolas Ferreira e Tarcísio de Freitas têm capitalizado sobre esse desgaste. A polarização segue acirrada, mas o “centro” do eleitorado, que decidiu a eleição de 2022, parece estar se afastando das pautas governistas atuais.
Conforme a análise técnica da AtlasIntel, o pessimismo com o futuro próximo é o maior desafio para reverter o quadro. O governo planeja anunciar um novo pacote social em janeiro para tentar retomar a narrativa popular, conforme a declaração de interlocutores do Planalto que buscam uma agenda positiva imediata.