O Iceberg A23a, um colosso de gelo que se desprendeu da Antártida em 1986, entrou oficialmente em sua fase terminal de existência. Cientistas da NASA e do monitoramento internacional confirmaram nesta segunda semana de janeiro de 2026 que o gigante está “apodrecendo” por dentro. Imagens de satélite revelam que a superfície do bloco, antes uma planície branca e sólida, agora está coberta por vastas piscinas de água azul.
Este fenômeno indica que o calor atmosférico e a radiação solar estão derretendo o gelo superficial em um ritmo sem precedentes. A água acumulada nas depressões do iceberg exerce uma pressão hidrostática devastadora, agindo como uma cunha que força a abertura de rachaduras profundas. O acúmulo de líquido no topo da estrutura compromete a integridade física de todo o bloco, que já perdeu mais de dois terços de sua área original desde 2020.
Atualmente à deriva no Atlântico Sul, o gigante atravessa uma região conhecida como o “cemitério de icebergs”. Ali, o encontro com águas oceânicas mais quentes acelera o processo de erosão pela base. Especialistas afirmam que o A23a está sofrendo o que chamam de desintegração rápida, onde grandes pedaços se soltam simultaneamente, transformando o que restou em uma nuvem de fragmentos menores em questão de dias ou poucas semanas.
Leia Também: São Paulo registra 1.131 presos foragidos após saidinha de Natal
A situação atingiu um ponto crítico com a detecção de um fenômeno chamado blowout. Isso ocorre quando a pressão da água doce acumulada internamente rompe as paredes laterais do gelo de forma explosiva. Esse vazamento maciço lança plumas de água doce no oceano, alterando a salinidade local. A fragilidade é tamanha que glaciologistas acreditam que o iceberg não sobreviverá ao atual verão austral, desaparecendo por completo antes de março.
Colapso estrutural e impacto oceânico
O fim do A23a representa um marco sombrio para a ciência climática global. Ao derreter, este gigante injeta bilhões de toneladas de água doce e nutrientes no mar, o que pode parecer benéfico para o fitoplâncton, mas sinaliza o desequilíbrio das calotas polares. O volume de gelo que está sendo perdido agora é um reflexo direto do aumento das temperaturas médias globais, que no último ano ultrapassaram marcas históricas de segurança climática.
A trajetória do bloco foi monitorada de perto por satélites como o Terra, da NASA, permitindo que pesquisadores entendam melhor como grandes massas de gelo falham. De acordo com o portal de notícias G1, a mudança de coloração para o azul é um sinal visual claro de que a densidade do gelo foi alterada pelo degelo interno. O monitoramento contínuo é vital para evitar riscos à navegação comercial na região da Geórgia do Sul.
O fim de um gigante de 40 anos
A morte do A23a encerra um ciclo de quatro décadas de observação científica intensa. Ele sobreviveu a décadas encalhado no leito marinho antes de iniciar sua jornada final em direção ao norte. Agora, o processo de “mush azul” — uma mistura de gelo e água derretida — domina sua paisagem. Cientistas reforçam que, embora a fragmentação seja natural, a velocidade do colapso atual é um alerta vermelho sobre a saúde dos oceanos.
O desaparecimento completo do iceberg é esperado para as próximas semanas. O rastro de fragmentos deixado para trás servirá como o último registro de um dos maiores objetos flutuantes já catalogados pela humanidade. O mundo observa agora o que restou de uma muralha de gelo que, por muito tempo, pareceu eterna, mas que sucumbiu ao calor do novo clima global.