Marina Silva deixará ministério e sairá da Rede em abril

De olho nas eleições, ministra encerra ciclo na Esplanada e negocia entrada em nova sigla após racha interno com a cúpula de seu atual partido.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, deve deixar o primeiro escalão do governo federal até o mês de abril. A decisão ocorre para cumprir o prazo legal de desincompatibilização para quem pretende disputar cargos eletivos nas eleições de outubro. Além da saída do ministério, Marina planeja se desvincular da Rede Sustentabilidade, partido que ajudou a fundar, devido a divergências profundas com a atual gestão da sigla.

O estopim para o rompimento partidário foi o aumento do controle da ala liderada pela deputada federal Heloísa Helena sobre as decisões da legenda. Uma nova norma interna determina que congressistas com ao menos dois anos de exercício no cargo tenham prioridade em candidaturas, o que prejudicaria a ministra, que se dedicou integralmente à Esplanada dos Ministérios no último biênio. Diante desse cenário, a permanência na sigla tornou-se politicamente inviável para as suas pretensões eleitorais.

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Marina Silva agora avalia três caminhos principais para o seu futuro partidário: o PT, o PSB ou o PSOL. Entre as possibilidades analisadas, ganha força a tese de uma candidatura ao Senado Federal, possivelmente compondo uma chapa estratégica em São Paulo ao lado de outros nomes fortes do governo. No entanto, a definição da nova casa política ainda depende do avanço das negociações com os caciques dessas agremiações, que veem na ministra um ativo eleitoral de grande prestígio.

O impacto no Ministério do Meio Ambiente

A saída de Marina Silva gera incertezas sobre a continuidade das políticas ambientais de rigor fiscalizatório implementadas desde 2023. A ministra é vista internacionalmente como a fiadora da agenda verde brasileira, e sua substituição exigirá um nome que mantenha a confiança de investidores e governos estrangeiros. O Palácio do Planalto já teria iniciado as sondagens para um sucessor que consiga equilibrar as demandas do setor produtivo com as metas de desmatamento zero.

Analistas políticos apontam que o movimento de Marina visa garantir sua sobrevivência política diante do isolamento na Rede. Ao buscar um partido com maior estrutura e tempo de TV, ela se posiciona como uma peça-chave no tabuleiro de 2026. A tendência é que a ministra opte por uma legenda que ofereça garantias de legenda e apoio financeiro para uma campanha de fôlego nacional, conforme reportado por canais especializados em política nacional.

Planejamento para o Senado e alianças

A estratégia de focar no Legislativo, descartando uma nova tentativa à Câmara dos Deputados, sinaliza que Marina busca um mandato de oito anos para consolidar sua influência em Brasília. A possível dobradinha com Fernando Haddad em São Paulo é um dos cenários mais discutidos nos bastidores, embora o ministro da Fazenda também seja cotado para a disputa ao governo estadual. Essa indefinição mantém o mercado político em alerta sobre os próximos passos da ministra.

O desembarque do governo será feito de forma coordenada com o presidente da República para evitar crises na gestão. Marina Silva deve entregar um balanço de sua gestão antes de se afastar definitivamente das funções administrativas. O anúncio oficial da nova sigla é aguardado para o final do primeiro trimestre, quando o cenário de alianças regionais estiver mais nítido para todos os envolvidos na disputa de 2026.

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