A nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes bilionárias em descontos de aposentadorias do INSS, trouxe à tona documentos que ligam diretamente o filho do presidente Lula aos principais investigados. Em uma agenda apreendida pela Polícia Federal, os agentes encontraram o registro “CPF – Fábio (filho Lula)”. A anotação descreve a entrega de credenciais para o camarote 309 de um show em Brasília, ocorrido entre os dias 3 e 5 de dezembro.
Além da agenda física, mensagens interceptadas pela corporação revelam o clima de pânico entre os operadores do esquema. A lobista Roberta Luchsinger enviou um alerta a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, avisando que a PF havia encontrado um envelope com o nome de “nosso amigo” durante as buscas. A resposta de Antunes foi uma única interjeição: “Putz”. Relatórios policiais sugerem que a relação entre os dois não era de subordinação, mas sim uma parceria societária para tráfico de influência.
A investigação detalha ainda que Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger compartilharam o mesmo código localizador em reservas de voos para destinos como Lisboa e São Luís. Apesar da proximidade confirmada pelas provas, a PF ressalta que, até o momento, não há evidências de participação direta de Fábio Luís na execução das fraudes previdenciárias. Contudo, os indícios foram suficientes para que a CPMI do INSS aprovasse sua convocação imediata para depor no Congresso.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se sobre os desdobramentos da operação que atingiu seu filho. Em declaração oficial, o mandatário afirmou que “ninguém ficará livre” e que, caso haja envolvimento comprovado, até mesmo seus filhos ou ministros serão punidos. Lula reforçou que a Polícia Federal possui total autonomia para seguir as investigações sem qualquer blindagem do Palácio do Planalto.
Tráfico de influência e destruição de provas
As autoridades acreditam que o grupo monitorava os passos da investigação para minimizar danos. Em um dos diálogos, Roberta aconselha o “Careca do INSS” a se desfazer de seus aparelhos celulares. Segundo o segundo dados oficiais, Antunes confirmou ter “sumido” com os telefones após a recomendação. A defesa de Roberta alega que as mensagens são “absolutórias” e que o envolvimento de Fábio é uma tentativa de desgaste político.
A complexidade do esquema envolve também uma suposta “mesada” de R$ 300 mil que teria sido paga a Lulinha por operadores do setor. Testemunhas em delação afirmaram que o filho do presidente atuava como sócio oculto em empresas que visavam vender medicamentos ao SUS. Estas acusações conforme a declaração dos investigadores, justificam a quebra de sigilos bancários e fiscais de todo o núcleo próximo aos lobistas.
Consequências políticas e desdobramentos
A crise provocou uma divisão interna na Polícia Federal entre acelerar as medidas contra Lulinha ou aguardar provas mais robustas. Enquanto isso, a base governista no Congresso tenta blindar o depoimento do filho do presidente na CPMI, vetando requerimentos de outros alvos da PF. O cenário gera instabilidade na base aliada, especialmente após o envolvimento do senador Weverton Rocha, alvo de mandados de busca.
Fábio Luís Lula da Silva, que se mudou para a Espanha em julho de 2025, nega qualquer irregularidade e afirma estar à disposição da Justiça. O desfecho da análise do material apreendido na agenda deve ditar os próximos passos da PGR. A expectativa é que novos nomes do primeiro escalão do governo surjam nos relatórios de inteligência financeira nos próximos dias.
