PF encontra mensagens de Vorcaro ordenando ataques virtuais

Documentos apreendidos revelam o “Projeto DV”: contratos de até R$ 2 milhões com influenciadores e cláusulas de sigilo para difamar autoridades.

A Polícia Federal (PF) deu um passo decisivo na investigação sobre a “máfia digital” que atuaria em favor do Banco Master. Após a perícia no celular de Daniel Vorcaro, detido em novembro na Operação Compliance Zero, os investigadores localizaram mensagens diretas onde o banqueiro ordena ataques virtuais coordenados. O material aponta para a existência do chamado “Projeto DV”, uma estrutura de marketing de guerrilha focada em desqualificar críticos e pressionar o Banco Central.

Os dados extraídos revelam que o esquema envolvia a contratação de influenciadores de grande alcance para disseminar narrativas favoráveis ao Master e atacar a credibilidade de órgãos de controle. A ofensiva, que durou cerca de 36 horas em um período crítico da intervenção do BC, teria sido orquestrada para gerar uma percepção de “perseguição política” contra Vorcaro.

A análise do celular é considerada “explosiva” pelos investigadores, pois Vorcaro não costumava deletar o histórico de suas conversas. O material agora serve como base para um novo inquérito, confirmado pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, focado especificamente no uso de redes de influenciadores para crimes de difamação e obstrução de investigações financeiras.

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Os contratos firmados com os produtores de conteúdo possuíam cláusulas severas. Segundo as mensagens, os pagamentos chegavam a R$ 2 milhões, mas incluíam multas de até R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo sobre quem era o verdadeiro contratante. Um dos administradores envolvidos na triangulação dos pagamentos estaria ligado a empresas que gerenciam a carreira de jornalistas de celebridades, ampliando o alcance da rede de desinformação.

O esquema do “Projeto DV” e o Banco Central

A Polícia Federal identificou que a meta do projeto era lançar dúvidas sobre a liquidação do Master decretada pelo Banco Central. Através de contas conhecidas por promover fofocas e celebridades, o grupo tentava reverberar argumentos de que o BC agiu de forma precipitada ou ilegal. A tática visava criar um ambiente de pressão popular e política contra a autarquia.

O uso de “robôs” e perfis de aluguel também foi detectado para inflar o engajamento de posts positivos sobre o banqueiro, enquanto abafava notícias negativas. A investigação agora busca identificar todos os influenciadores que aceitaram dinheiro para participar do ataque coordenado, o que pode resultar em indiciamentos por organização criminosa.

Consequências jurídicas e novos depoimentos

A defesa de Daniel Vorcaro tem negado as irregularidades, alegando que o banco Master agiu dentro da legalidade em suas operações financeiras e contratações. No entanto, a PF já finalizou acareações entre ex-diretores e o próprio Vorcaro para confrontar os dados encontrados no aparelho telefônico. O Ministério Público junto ao TCU também solicitou acesso às mensagens para avaliar o impacto dessas condutas na estabilidade do sistema financeiro.

O caso marca um precedente perigoso sobre como o poder econômico pode capturar as redes sociais para intimidar o Estado. Com a operação Compliance Zero avançando sobre os celulares explosivos do grupo Master, a expectativa é de que novas prisões ocorram até o final de janeiro de 2026. A liberdade das redes sociais está agora no centro de um debate jurídico sobre o limite entre a liberdade de expressão e a orquestração de crimes cibernéticos.

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