PF encontra prova de grampo ilegal de Moro contra autoridades

Relatórios da Polícia Federal apontam que ex-juiz teria monitorado ilegalmente presidentes de tribunais e políticos com foro para obter vantagens e realizar chantagens.

A Polícia Federal encontrou provas documentais que comprometem diretamente o senador Sergio Moro (União-PR) em um esquema de espionagem ilegal. Segundo as investigações, o então juiz teria ordenado grampos sem autorização judicial contra autoridades que possuíam foro privilegiado.

O material apreendido indica que Moro monitorou conversas do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná e de desembargadores do TRF-4. As evidências surgiram a partir das denúncias de Tony Garcia, que acusa o ex-magistrado de usar a estrutura pública para fins de chantagem.

A perícia técnica focou em um equipamento utilizado pela força-tarefa da Lava Jato entre os anos de 2016 e 2020. Os agentes analisaram metadados que comprovam o acesso efetivo a gravações por usuários ligados ao gabinete do ex-juiz federal.

Indústria de arapongagem e chantagem política

O delator Tony Garcia afirmou em depoimento que foi coagido a realizar gravações clandestinas para alimentar o sistema de Moro. A PF agora trabalha para identificar todos os alvos dessa rede de monitoramento que operava à revelia do Supremo Tribunal Federal.

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O ministro Dias Toffoli autorizou a quebra de sigilo de documentos que comprovam o funcionamento dessa estrutura de espionagem. Os dados revelam que o sistema Vocale R3 realizou cerca de 30 mil gravações de ligações telefônicas sob comando da equipe paranaense.

A defesa de Sergio Moro classifica as acusações como “mentirosas” e “fantasiosas”. Em nota oficial, o senador afirma que as diligências realizadas pela Polícia Federal apenas confirmarão a sua isenção e legalidade em todos os atos judiciais.

Consequências jurídicas e cerco no STF

O avanço das investigações coloca em risco o mandato do senador e pode levar a novas condenações criminais. Juristas apontam que a utilização de provas obtidas de forma ilícita caracteriza delinquência judicial grave perante a lei brasileira.

O Conselho Nacional de Justiça também monitora o caso para apurar a conduta administrativa dos envolvidos na 13ª Vara. A expectativa é que novos laudos periciais identifiquem se arquivos foram apagados ou transferidos para servidores externos ou nuvem.

A Polícia Federal deve entregar o relatório final ao Supremo Tribunal Federal nas próximas semanas. O caso reacende o debate sobre os limites da Operação Lava Jato e o uso político do aparato de segurança pública do Estado.

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