PF prende secretário da Previdência em operação por fraudes

ecretário-executivo é afastado e cumpre prisão domiciliar por suspeita de envolvimento em esquema que desviou R$ 6,3 bilhões de aposentados.

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (18) o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal. Considerado o braço-direito do ministro Wolney Queiroz, o gestor foi alvo de um mandado de prisão domiciliar expedido pelo Supremo Tribunal Federal. A ação faz parte da nova etapa da Operação Sem Desconto, que apura o desvio de recursos públicos e fraudes contra segurados.

Adroaldo Portal ocupava o segundo cargo mais importante na hierarquia da pasta e foi imediatamente afastado da função pública. Segundo os investigadores, ele é suspeito de facilitar a atuação de uma organização criminosa que realizava descontos indevidos em benefícios. Antes de assumir o posto no ministério, Portal atuou como assessor do senador Weverton Rocha, que também é investigado.

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O esquema criminoso consistia na inserção de dados falsos nos sistemas oficiais para permitir cobranças de taxas associativas sem o consentimento dos idosos. Estimativas da Controladoria-Geral da União indicam que o prejuízo aos cofres e aos aposentados atinge a marca de R$ 6,3 bilhões. A PF busca agora identificar se houve pagamento de propinas para a manutenção desses contratos irregulares dentro do órgão.

Exoneração e substituição no Ministério

Diante da gravidade dos fatos, o ministro Wolney Queiroz anunciou a exoneração imediata de Adroaldo Portal do cargo. Para seu lugar, foi nomeado o procurador federal Felipe Cavalcante e Silva, que ocupava a consultoria jurídica da pasta. A medida tenta estancar a crise política gerada pela operação policial que atingiu o núcleo decisório da Previdência Social em Brasília.

As diligências desta quinta-feira incluíram buscas em endereços ligados a Portal no Distrito Federal e em outros seis estados brasileiros. Conforme informações publicadas pela Jovem Pan, a prisão domiciliar foi uma determinação para garantir a coleta de provas sem interferência direta. Agentes apreenderam documentos e equipamentos eletrônicos que podem revelar a extensão da rede de corrupção.

Conexões políticas sob investigação

A Polícia Federal aponta que a organização criminosa possuía ramificações que utilizavam o vazamento de dados pessoais para aplicar os golpes. Além de Adroaldo Portal, a operação resultou na prisão de Romeu Carvalho Antunes, filho do lobista conhecido como Careca do INSS. A investigação sugere que familiares de operadores financeiros operavam empresas de fachada para lavar o dinheiro desviado dos aposentados.

O Supremo Tribunal Federal autorizou o compartilhamento de provas com a Controladoria-Geral da União para processos administrativos disciplinares. Segundo o portal Revista Oeste, a defesa do secretário afastado nega qualquer irregularidade e afirma que ele está à disposição para prestar esclarecimentos. O inquérito segue sob sigilo e novas prisões não estão descartadas nos próximos dias.

O impacto dessa operação deve acelerar a revisão de convênios entre associações e o Instituto Nacional do Seguro Social. O governo federal prometeu endurecer as regras de segurança digital para impedir que funcionários do alto escalão manipulem dados previdenciários. Especialistas acreditam que o caso pode provocar mudanças profundas na estrutura de governança do Ministério da Previdência nos próximos meses.

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