Praias brasileiras batem recorde de poluição: só 30% limpas

Levantamento anual revela colapso da balneabilidade no país; falta de esgoto tratado e chuvas intensas transformam cartões-postais em áreas de risco.

O litoral do Brasil enfrenta uma crise sanitária sem precedentes neste final de 2025. Apenas 253 dos 837 pontos monitorados apresentam condições adequadas de banho. Este índice representa somente 30,2% do total de praias analisadas pelas agências ambientais. O levantamento compilou dados oficiais de 14 estados brasileiros entre novembro de 2024 e outubro de 2025.

Os números indicam o menor patamar de qualidade da água desde o início dos registros sistemáticos. O cenário é crítico para os turistas que planejam as viagens de final de ano. Cidades turísticas renomadas como Salvador e Rio de Janeiro apresentam trechos impróprios em locais de alta circulação. Além disso, a presença de bactérias indica contato direto da água do mar com esgoto doméstico.

A deterioração ambiental atinge estados de todas as regiões costeiras do território nacional. Apenas os estados do Amapá, Piauí e Pará ficaram de fora do relatório atual por falta de medição. Entretanto, a média nacional despencou devido ao crescimento urbano desordenado próximo aos mananciais.

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As chuvas intensas registradas ao longo do ano aceleraram o transporte de resíduos para o oceano. Consequentemente, as galerias pluviais despejam detritos e contaminantes orgânicos diretamente nas areias. Dessa forma, o banhista deve aguardar pelo menos 48 horas após temporais para entrar no mar.

Causas do colapso e impacto no turismo

O déficit de saneamento básico aparece como o principal vilão da balneabilidade brasileira hoje. Milhares de imóveis no litoral paulista e catarinense ainda operam sem conexão com a rede de esgoto. Esta negligência estrutural compromete a saúde dos ecossistemas marinhos e a segurança dos visitantes.

Especialistas alertam que a poluição visível é apenas uma parte do problema biológico. Micro-organismos invisíveis como a Escherichia coli causam surtos de gastroenterite e doenças de pele. Segundo os dados oficiais do setor, o monitoramento semanal é essencial para evitar contaminações graves.

Riscos à saúde e alertas para o verão

A contaminação da água pode afetar também o consumo de frutos do mar em comunidades locais. O aumento da turbidez impede a sobrevivência de corais e espécies sensíveis à poluição química. Portanto, a precarização das praias gera um efeito cascata que atinge desde o pescador até o grande hoteleiro.

Muitos pontos turísticos badalados perderam selos de qualidade internacional devido aos riscos biológicos detectados. As autoridades recomendam que os cidadãos consultem os mapas de balneabilidade antes de qualquer mergulho. A vigilância sanitária intensificará a fiscalização em quiosques e saídas de canais durante toda a temporada.

A recuperação dessas áreas exige investimentos pesados em infraestrutura de drenagem e tratamento. Sem ações imediatas, o Brasil corre o risco de perder competitividade no mercado de turismo ecológico. O segundo dados oficiais do governo, o país precisa universalizar o acesso ao esgoto para salvar o litoral.

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