O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, detalhou nesta quarta-feira como funcionava o esquema criminoso no estádio do MorumBIS. Segundo a acusação, camarotes específicos foram transformados em verdadeiras salas de jogos de azar.
As máquinas caça-níqueis eram camufladas por trás de painéis decorativos e operavam durante os dias de grandes jogos e eventos. O promotor classificou a estrutura como uma “máquina de caça-níqueis” gigante, projetada para lavagem de dinheiro.
A investigação revela que o acesso a esses locais era restrito a convidados selecionados por meio de aplicativos de mensagens criptografados. O lucro estimado da operação ultrapassava a marca de milhões de reais por mês, sem qualquer tributação.
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O São Paulo Futebol Clube emitiu uma nota oficial informando que colabora com as autoridades para identificar os responsáveis pelas locações. O clube reforçou que não possui vínculo direto com as empresas que gerenciavam os espaços investigados.
Logística do crime e lavagem de dinheiro
O Ministério Público identificou que o pagamento das apostas era feito majoritariamente via criptomoedas e dólares, dificultando o rastreamento financeiro. Os equipamentos apreendidos possuem tecnologia de ponta, permitindo o controle remoto das probabilidades de ganho.
O promotor destacou que a escolha do MorumBIS não foi aleatória, pois o fluxo intenso de pessoas facilitava a ocultação dos criminosos. A segurança dos camarotes era feita por agentes armados que não pertenciam ao quadro oficial do estádio.
Documentos apreendidos indicam que o esquema pretendia se expandir para outros estádios da capital paulista. A justiça já determinou o bloqueio das contas bancárias de três empresas laranjas que aparecem nos contratos de locação das áreas VIP.
Consequências jurídicas e próximos passos
Os envolvidos no esquema podem responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar. A pena para esses delitos, somada, pode ultrapassar os 20 anos de reclusão para os líderes da quadrilha.
A prefeitura de São Paulo estuda a cassação do alvará de funcionamento dos espaços envolvidos até o fim das perícias. O promotor afirmou que novas fases da operação devem ocorrer nos próximos dias, focando nos financiadores do cassino clandestino.
O impacto da denúncia atinge a imagem do futebol brasileiro no exterior, gerando cobranças por maior rigor na fiscalização de áreas terceirizadas em estádios. O Ministério Público agora trabalha para identificar se houve omissão por parte de funcionários públicos na concessão de licenças.
