O empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro mantém uma participação societária ativa em poços de exploração de petróleo na Venezuela. A informação detalha que os aportes financeiros realizados pelo brasileiro no país vizinho somam cerca de US$ 150 milhões desde 2024.
A revelação surge em um momento de extrema fragilidade para Vorcaro, que enfrenta a liquidação extrajudicial do seu antigo Banco Master. O investimento no setor de energia venezuelano era tratado como um movimento estratégico de longo prazo para diversificação de patrimônio.
Interlocutores próximos ao empresário confirmaram que os recursos foram direcionados para áreas de alta produtividade controladas historicamente pelo Estado venezuelano. Contudo, a recente prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos coloca todo o projeto em um limbo jurídico imediato.
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A estratégia de Vorcaro dependia diretamente da manutenção de acordos firmados sob a gestão chavista, que agora enfrenta um colapso político acelerado. Especialistas apontam que a insegurança institucional pode levar à revisão compulsória de todos os contratos de exploração estrangeira.
Risco de confisco e sanções
O cenário de incerteza em Caracas ameaça diretamente os ativos vinculados ao petróleo, que podem sofrer intervenções de novas autoridades ou forças internacionais. A situação é agravada pelo fato de Vorcaro já estar sob escrutínio da Polícia Federal brasileira devido à Operação Compliance Zero.
As investigações no Brasil apuram fraudes que podem ter movimentado R$ 12 bilhões no sistema financeiro, envolvendo a fabricação de carteiras falsas. A conexão com o petróleo venezuelano adiciona uma camada de complexidade sobre o fluxo de capitais gerido pelo ex-banqueiro.
A justiça brasileira monitora os passos de Vorcaro, que atualmente cumpre medidas cautelares com o uso de tornozeleira eletrônica após tentativa de fuga. A descoberta de bens no exterior amplia as preocupações sobre a real liquidez do seu império empresarial.
Colapso dos investimentos externos
O império Titan, braço de investimentos de Vorcaro, vê seu valor de mercado derreter conforme novas denúncias de corrupção e má gestão emergem. A aposta no petróleo venezuelano, antes vista como uma “oportunidade rara”, tornou-se agora um passivo de alto risco político.
A possibilidade de devolução de ativos ao povo venezuelano ou o bloqueio por sanções americanas são riscos concretos enfrentados pelo empresário no momento. O silêncio da defesa de Vorcaro sobre os negócios na Venezuela contrasta com a agressividade dos investimentos realizados anteriormente.
Enquanto o Supremo Tribunal Federal conduz acareações sobre a venda suspeita de ativos bancários, o destino dos US$ 150 milhões permanece incerto. Segundo dados oficiais de órgãos reguladores, a transparência sobre esses contratos é nula, dificultando qualquer recuperação imediata.
A queda do regime de Maduro pode significar o fim das concessões dadas a investidores que apoiaram a estrutura econômica da ditadura. Conforme a declaração de analistas financeiros, a exposição de Vorcaro ao risco venezuelano é uma das maiores entre empresários brasileiros atualmente.