Mensagens obtidas por investigadores mostram que Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, monitorava pessoalmente os repasses financeiros. O empresário ordenou explicitamente que os pagamentos para a empresa de Viviane fossem tratados como urgência absoluta.
As instruções eram enviadas diretamente para assistentes próximos e diretores da área financeira da instituição. Vorcaro não aceitava atrasos nas remessas e cobrava relatórios frequentes sobre a liquidação de cada nota fiscal emitida pela consultoria.
Consequentemente, a estrutura do banco funcionava para atender a uma agenda pessoal de prioridades do seu principal acionista. A revelação complica a narrativa de que os repasses seguiam critérios técnicos de mercado ou processos de governança independentes.
Leia Também: FGC inicia pagamento bilionário a credores do Banco Master
Investigadores apontam que a insistência de Vorcaro em manter o fluxo financeiro ignora alertas de departamentos internos de risco. Além disso, as mensagens indicam uma relação de extrema proximidade entre a cúpula do banco e os beneficiários dos valores.
A defesa de Vorcaro sustenta que as mensagens refletem apenas o compromisso da instituição com fornecedores estratégicos e contratos vigentes. Todavia, a frequência e o tom das cobranças sugerem um tratamento diferenciado que não é comum em operações bancárias padrão.
Impacto na Governança
O Banco Central monitora os desdobramentos dessas mensagens para avaliar se houve quebra de normas de gestão temerária. O uso de canais informais para definir prioridades financeiras é um sinal de alerta vermelho para auditores independentes e órgãos de controle.
Os documentos mostram que milhões de reais saíram do caixa do banco sob ordens diretas e personalizadas do controlador. Especialistas afirmam que esse modelo de gestão fragiliza a segurança jurídica da instituição e afasta investidores institucionais que buscam transparência e processos sólidos.
A pressão sobre o conselho de administração do Master aumentou drasticamente após a divulgação dessas comunicações internas. O mercado aguarda agora um posicionamento oficial da CVM sobre a conduta de Daniel Vorcaro diante das novas evidências de favorecimento deliberado.