A Câmara dos Deputados oficializou a convocação de Missionário José Olímpio (PL-SP) e Dr. Flávio (PL-RJ) para assumirem as cadeiras deixadas por Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem. A decisão da Mesa Diretora, publicada nesta quinta-feira (18), ocorre após a declaração de perda de mandato dos titulares por motivos administrativos e judiciais.
Eduardo Bolsonaro teve o mandato extinto devido ao acúmulo de faltas não justificadas, ultrapassando o limite de um terço das sessões deliberativas. O parlamentar está nos Estados Unidos desde o início do ano e já havia solicitado licença anteriormente, mas a ausência prolongada sem autorização oficial selou sua saída.
Já Alexandre Ramagem perdeu o cargo em decorrência de uma condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. Com o trânsito em julgado e a perda dos direitos políticos por oito anos, a Mesa apenas formalizou a vacância da vaga fluminense.
Perfil dos novos deputados na Câmara
O Missionário José Olímpio retorna ao Congresso Nacional como um veterano, tendo exercido mandatos federais entre os anos de 2011 e 2019. Filiado ao PL e vinculado à Igreja Mundial do Poder de Deus, o parlamentar paulista deve reforçar a frente evangélica com foco em pautas de costumes e liberdade religiosa.
Olímpio já vinha atuando como suplente temporário durante uma licença prévia de Eduardo Bolsonaro em março de 2025, o que facilita sua integração imediata. Em suas primeiras declarações, o missionário afirmou que sua atuação será pautada pela defesa da família e pelo fortalecimento de políticas sociais conservadoras.
Por outro lado, Dr. Flávio assume a vaga de Ramagem trazendo a experiência de sua atuação no governo do Rio de Janeiro. Médico de formação, ele deve priorizar debates sobre saúde pública e segurança, mantendo o alinhamento político com o diretório regional do Partido Liberal.
Consequências políticas das cassações
A substituição definitiva dos parlamentares altera a dinâmica de articulação da oposição na Câmara dos Deputados sob a gestão de Hugo Motta. Enquanto os titulares eram figuras centrais no debate ideológico e internacional, os suplentes possuem perfis voltados para a atuação legislativa setorial e bases religiosas.
Lideranças do PL lamentaram a forma como as perdas de mandato foram conduzidas, criticando a ausência de votação em plenário para os casos de excesso de faltas. Entretanto, a Mesa Diretora defendeu que seguiu rigorosamente o Regimento Interno para evitar questionamentos jurídicos posteriores no Supremo.
Conforme a declaração oficial de autoridades, a posse dos novos membros deve ocorrer nos próximos dias, consolidando a nova composição da Casa. O movimento é visto como uma tentativa da presidência da Câmara de normalizar o funcionamento administrativo, conforme os termos fixados nas normas de sucessão parlamentar por sistema proporcional.
