Os Correios iniciam nesta semana um dos períodos mais desafiadores de sua trajetória institucional recente. O presidente Emmanoel Schmidt Rondon confirmou medidas severas de ajuste.
A estatal planeja abrir um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) com meta de 15 mil adesões. O cronograma prevê 10 mil saídas em 2026.
O restante dos desligamentos, cerca de 5 mil postos, deve ocorrer ao longo de 2027. Atualmente, a empresa enfrenta um rombo financeiro alarmante.
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Apenas entre janeiro e setembro deste ano, os Correios acumularam prejuízo de R$ 6,1 bilhões. O valor é quase o triplo do registrado no ano passado.
Conforme o novo comando, a redução do quadro é vital para garantir a sobrevivência operacional. A folha de pagamento consome grande parte da receita atual.
Corte de Vagas e Fechamento de Agências
Além da redução de pessoal, o plano de reestruturação prevê o fechamento de até mil agências deficitárias. O foco agora recai sobre a eficiência logística tecnológica.
O presidente Rondon destacou que a captação de R$ 12 bilhões em crédito será fundamental. Esse montante visa recompor a liquidez imediata da empresa pública.
Contudo, a estatal garante que a universalização dos serviços postais não será prejudicada. A análise técnica identificará pontos com baixa demanda e alta ociosidade.
O governo federal descartou qualquer processo de privatização neste novo ciclo de gestão. Entretanto, a pressão por resultados positivos em 2027 é inegociável.
Modernização Operacional e Novos Negócios
A estratégia de recuperação inclui a venda de imóveis ociosos com potencial de R$ 1,5 bilhão. O objetivo central é recolocar os Correios no caminho do lucro.
A direção estuda transformar a estatal em uma sociedade de economia mista futuramente. Isso permitiria a abertura de capital e maior governança corporativa.
Para viabilizar o PDV, a empresa aguarda a aprovação final do Ministério da Fazenda. A adesão dos funcionários dependerá de incentivos financeiros atrativos e viáveis.
Especialistas indicam que a economia anual com as demissões pode chegar a R$ 2,1 bilhões. Conforme a análise do mercado, a medida é um pilar para o alívio das contas.
O sindicato da categoria já manifestou preocupação com a possível sobrecarga dos servidores remanescentes. Representantes pedem garantias de que não haverá perda de qualidade no atendimento.
O desfecho deste plano definirá o futuro da estatal como peça estratégica nacional. Segundo dados oficiais, o retorno desse investimento em pessoal deve ocorrer em nove meses.
Os próximos passos incluem a detalhação das regras de adesão para os trabalhadores interessados. A expectativa é que o edital oficial seja publicado em janeiro.