A CPMI que investiga fraudes no INSS entrou em uma nova fase de alta tensão política nesta sexta-feira (19). O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, protocolou pedidos oficiais para convocar Fábio Luís Lula da Silva e o senador Weverton Rocha. A medida ocorre um dia após a Polícia Federal deflagrar a Operação Sem Desconto, que apura um desvio de R$ 6 bilhões em aposentadorias.
Os novos elementos da investigação apontam que uma empresa ligada à empresária Roberta Luchsinger recebia repasses mensais de R$ 300 mil. Segundo o relatório da PF, mensagens interceptadas fazem referência direta a esse montante como sendo destinado ao “filho do rapaz”, em alusão a Lulinha. Roberta, que é amiga próxima do filho do presidente, foi submetida ao uso de tornozeleira eletrônica nesta semana.
O senador Weverton Rocha, vice-líder do governo, também está no centro do furacão. Os investigadores afirmam que o parlamentar oferecia a sustentação política necessária para a continuidade do esquema criminoso dentro da autarquia. A PF chegou a pedir a prisão preventiva do senador, mas o pedido foi negado pelo ministro André Mendonça, do STF.
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A estratégia de Alfredo Gaspar visa aproveitar os fatos novos para superar a resistência da base governista no colegiado. Anteriormente, requerimentos similares haviam sido barrados por aliados do Palácio do Planalto em votações apertadas. O regimento interno permite a reapresentação dos pedidos quando surgem evidências inéditas que justificam o depoimento dos citados.
O governo federal tenta minimizar o impacto das convocações, alegando que não há provas diretas contra o núcleo político. No entanto, a pressão da oposição aumentou com a descoberta de que o esquema operava por meio de sindicatos fantasmas e entidades de fachada. A oposição agora colhe assinaturas para prorrogar os trabalhos da CPMI por mais 120 dias.
A expectativa é que o embate ganhe contornos dramáticos no retorno das atividades parlamentares, em fevereiro de 2026. O presidente Lula declarou que qualquer envolvido deve ser investigado, mas a base lulista mantém o discurso de perseguição política. A análise dos sigilos bancários e telefônicos de Roberta Luchsinger pode ser o próximo passo para confirmar o destino final dos recursos.
Conforme a declaração do relator, a comissão não aceitará mais manobras de blindagem diante da gravidade dos dados oficiais. O desvio bilionário atinge diretamente milhares de pensionistas, o que amplifica o custo político do escândalo para o governo, segundo dados oficiais do inquérito que corre sob sigilo parcial.