O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu um erro factual grave ao comentar o desempenho econômico do Brasil nesta quinta-feira. Durante conversa com jornalistas, o mandatário afirmou que a última expansão do PIB acima de 3% ocorreu apenas em 2010. Lula completou dizendo que o índice só voltou a este patamar após o início de seu atual mandato, em 2023.
Entretanto, as estatísticas oficiais do governo desmentem a fala presidencial de forma categórica. O Produto Interno Bruto brasileiro registrou um crescimento de 4,6% no ano de 2021. Este resultado representou a maior expansão econômica do país em mais de uma década, superando os efeitos da crise sanitária global.
Leia Também: 16 milhões de brasileiros vivem em favelas, 8% do país, diz Censo 2022
O avanço de 2021 foi fundamental para recuperar as perdas do ano anterior, quando a economia encolheu 3,9%. Na época, o PIB totalizou R$ 8,7 trilhões sob a gestão anterior. Além disso, o crescimento continuou em 2024, quando o país registrou nova alta de 3,4%, conforme os registros históricos.
Contradição com indicadores do IBGE
A fala do presidente ignora os relatórios anuais do Sistema de Contas Nacionais. De acordo com os dados consolidados do IBGE, o salto de 4,6% em 2021 foi puxado principalmente pelos setores de indústria e serviços. Essa recuperação ocorreu após o choque inicial da pandemia de Covid-19 no mercado interno.
Mesmo com a revisão posterior feita pelo órgão em 2023, o índice foi elevado para 4,8%, reforçando o erro na declaração desta quinta-feira. O presidente também desconsiderou que o PIB per capita cresceu 3,9% naquele mesmo período. Tais números são públicos e amplamente utilizados para o planejamento de investimentos internacionais no Brasil.
Impacto na credibilidade econômica
A distorção de dados oficiais pode gerar ruídos desnecessários no mercado financeiro nacional. Analistas apontam que a manutenção da precisão técnica é vital para a confiança dos investidores. Conforme a análise de especialistas em macroeconomia, o crescimento de 2021 superou até as expectativas mais otimistas do mercado na ocasião.
O Planalto ainda não emitiu uma nota de correção sobre a fala do presidente até o fechamento desta reportagem. A oposição já utiliza as redes sociais para confrontar o discurso com os gráficos de desempenho das últimas gestões. A checagem de fatos permanece como ferramenta essencial para o debate público sobre a real situação das contas do país.
