O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o modelo de segurança pública adotado em diversos estados brasileiros. Durante discurso realizado nesta quinta-feira, o mandatário afirmou que deseja ver a polícia atuando em investigações de luxo. Segundo ele, as operações devem chegar às coberturas de edifícios de alto padrão, onde estariam os verdadeiros mentores do crime organizado.
Lula criticou duramente a recorrência de mortes durante incursões policiais em comunidades carentes. O presidente destacou que a política de segurança não pode ser pautada apenas pelo confronto armado em áreas vulneráveis. Ele defende que o Estado deve priorizar a inteligência para sufocar o financiamento do tráfico de drogas e armas no topo da pirâmide social.
A declaração ocorre em um momento de pressão sobre o Ministério da Justiça para a redução de índices de letalidade. O governo federal planeja condicionar o repasse de verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública ao cumprimento de metas de direitos humanos. Lula reiterou que a polícia precisa ser treinada para prender com eficiência, evitando tragédias recorrentes em favelas.
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A fala gerou reações imediatas entre governadores de oposição e associações de policiais militares. Críticos alegam que o discurso presidencial deslegitima o trabalho de campo das forças de segurança nas periferias. Por outro lado, movimentos sociais celebraram o posicionamento como um passo necessário para a reforma das polícias no país.
Inteligência contra o Colarinho Branco
O Palácio do Planalto quer fortalecer a atuação da Polícia Federal no rastreamento de lavagem de dinheiro. O objetivo é que as forças estaduais sigam o exemplo de focar no patrimônio dos líderes criminosos. O governo acredita que a descapitalização do crime é mais eficaz do que o tiroteio em becos e vielas.
Especialistas em segurança pública concordam que a investigação de alto nível é fundamental para desmantelar facções. No entanto, alertam que a transição para este modelo exige investimentos massivos em tecnologia e perícia. O debate sobre a desmilitarização e o uso de câmeras corporais volta a ganhar força após as falas de Lula.
Repercussão no Congresso Nacional
No Legislativo, a bancada da segurança pública, conhecida como “Bancada da Bala”, prometeu convocar ministros para explicações. Parlamentares alegam que o presidente ignora a realidade violenta enfrentada pelos policiais diariamente. Eles defendem que o enfrentamento direto é inevitável onde o crime detém controle territorial armado.
Enquanto isso, o governo mantém a estratégia de humanização da segurança. O próximo passo será o lançamento de um plano nacional de segurança integrada com foco em inteligência. Lula encerrou seu discurso afirmando que a paz social só será alcançada quando a lei for aplicada de forma igualitária, independentemente do endereço do suspeito.