Oposição protocola prorrogação da CPMI do INSS sem o PT

Subtítulo Com 204 assinaturas no total, oposição vence resistência do governo e garante continuidade da investigação que mira o coração do esquema de fraudes.

A oposição ao governo Lula impôs uma dura derrota política ao Palácio do Planalto nesta sexta-feira (19) ao protocolar o pedido de prorrogação da CPMI do INSS. O requerimento obteve o apoio de 175 deputados e 29 senadores, superando os requisitos mínimos para a continuidade dos trabalhos no Congresso Nacional. O dado que mais chamou a atenção nos bastidores foi o isolamento do PT, única legenda que se recusou formalmente a assinar a extensão da comissão.

O deputado Marcel van Hattem anunciou o protocolo destacando que a investigação entrou em uma fase crítica após a Operação Sem Desconto. De acordo com o parlamentar, a resistência do PT em assinar a prorrogação confirma uma tentativa deliberada de blindagem contra novas convocações. O colegiado agora tem autorização para atuar por mais 120 dias, estendendo o foco sobre os desvios bilionários que atingem segurados do INSS.

Os parlamentares pretendem usar o novo prazo para aprofundar as investigações sobre a suposta “mesada” de R$ 300 mil destinada a Fábio Luís Lula da Silva. Relatos da Polícia Federal sugerem que o filho do presidente recebia repasses por meio de laranjas ligados a sindicatos que operavam o esquema. A oposição argumenta que o encerramento prematuro da CPMI deixaria essas lacunas sem resposta e beneficiaria os envolvidos.

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O senador Eduardo Girão também reforçou que o volume de documentos obtidos via quebras de sigilo exige tempo adicional para análise pericial. A CPMI já identificou que o esquema movimentou mais de R$ 6 bilhões por meio de descontos indevidos em aposentadorias de pessoas já falecidas. A estratégia agora é focar nos “peixes grandes” que davam sustentação política à fraude dentro da autarquia federal.

A base governista tentou deslegitimar a prorrogação, afirmando que o colegiado estava sendo usado para “palco político” contra o presidente. No entanto, a adesão de parlamentares de partidos do Centrão que possuem ministérios no governo surpreendeu o Planalto. A fragmentação da base revela a dificuldade do governo em conter a narrativa de corrupção que domina a opinião pública.

Com a leitura do requerimento prevista para o retorno do recesso, a CPMI deve ganhar novos poderes de investigação no início de 2026. O relator Alfredo Gaspar já prepara uma nova leva de quebras de sigilo bancário e telemático para rastrear o caminho do dinheiro desviado. O objetivo final é o indiciamento de operadores financeiros e agentes públicos envolvidos na estrutura criminosa.

Conforme a declaração de Van Hattem, o protocolo é uma vitória da transparência sobre a tentativa de ocultação de fatos graves. O cenário coloca o governo em uma posição defensiva, precisando explicar por que a principal sigla da base se opõe a uma investigação de fraude contra os mais pobres, segundo dados oficiais do Congresso.

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