O senador Renan Calheiros (MDB-AL) surpreendeu o cenário político nesta quarta-feira (17) ao disparar graves acusações contra a base aliada do governo Lula. Durante sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o parlamentar classificou a articulação governista como uma farsa arquitetada nos bastidores.
A denúncia foca em um suposto acordo entre o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), e parlamentares da oposição. Segundo Calheiros, o Planalto teria sinalizado apoio ao polêmico Projeto de Lei da Dosimetria. Este texto prevê a redução de penas para os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro.
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Em contrapartida, o governo buscaria viabilizar a votação de uma pauta econômica de alto interesse arrecadatório. O objetivo seria garantir a aprovação de novas taxas para empresas de tecnologia financeira e plataformas de apostas eletrônicas. Renan afirmou categoricamente que não participaria desse teatro político dentro do Congresso Nacional.
O embate direto na CCJ do Senado
A postura de Renan Calheiros sinaliza uma crise de confiança profunda entre setores do MDB e a coordenação política de Lula. O senador é o próprio autor da proposta de dosimetria, mas rejeita o uso do texto como moeda de troca. Ele argumenta que a versão aprovada pela Câmara dos Deputados foi alterada de forma perigosa.
O senador alagoano sustenta que o texto atual pode gerar um efeito de “libera geral” para criminosos em diversos estados. Além disso, ele aponta que a medida desestimula as investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre tentativas de golpe. A acusação gerou um clima de tensão imediata entre os membros da comissão técnica.
Mesmo com as duras críticas do aliado, o texto acabou avançando na CCJ com 17 votos favoráveis. A base governista, no entanto, apresenta sinais de fragmentação diante das falas de Calheiros. A ausência de líderes estratégicos do PT durante a votação reforçou a tese de desarticulação apontada pelo emedebista.
Consequências para a arrecadação e justiça
A exposição dessa negociação coloca o Palácio do Planalto em uma posição defensiva perante sua própria militância. O governo nega oficialmente qualquer acordo que envolva anistia velada ou redução de sanções aos golpistas. Entretanto, a pressão por aumentar a receita federal via tributação de fintechs segue como prioridade absoluta.
Analistas indicam que este racha pode dificultar a tramitação de matérias econômicas nas próximas semanas. Conforme dados oficiais, a relação entre o Executivo e o Senado depende da harmonia com caciques como Renan para evitar derrotas orçamentárias. O senador insiste que o projeto não pode servir para blindar figuras políticas sob investigação.
A crise de confiança foi amplificada pela denúncia de que o texto enviado pela Câmara difere do que havia sido acordado. Segundo a declaração feita por Calheiros, a manobra política tenta “abrandar e possibilitar a revisão criminal” de forma generalizada. O governo agora tenta conter os danos para garantir que a pauta das bets não seja contaminada pela polêmica da dosimetria.