Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo revelou um cenário de horror na saúde privada. Dois homens foram flagrados exercendo a medicina ilegalmente em um hospital na Zona Leste da capital. A dupla atuou na unidade por mais de dois anos sem qualquer registro profissional válido.
O caso tomou proporções dramáticas após o cruzamento de dados de óbitos. As autoridades investigam agora a relação direta dos falsários com oito mortes registradas no período. Consequentemente, a polícia solicitou a exumação de corpos para verificar se houve erro médico fatal nos procedimentos.
Uso de registros de médicos reais
Para enganar a administração do hospital, os suspeitos utilizavam o número do CRM de médicos ativos. Eles falsificavam carimbos e assinaturas em receitas e prontuários. Além disso, os criminosos realizavam atendimentos de alta complexidade, incluindo partos e cirurgias de emergência, colocando centenas de vidas em risco.
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A fraude só foi descoberta após uma denúncia anônima de um colega de trabalho. O profissional estranhou a falta de conhecimento técnico básico de um dos investigados durante um plantão. Entretanto, o hospital alega que cumpriu todos os protocolos de contratação vigentes na época da admissão.
Negligência e responsabilidade do hospital
O Conselho Regional de Medicina (Cremesp) acompanha o inquérito de perto. A entidade investiga se houve omissão por parte da diretoria técnica da unidade de saúde. A fiscalização deficiente permitiu que indivíduos sem formação básica circulassem livremente por áreas críticas do hospital por 24 meses.
As famílias das vítimas buscam justiça e reparação imediata. Muitos pacientes que sobreviveram aos cuidados dos falsos médicos apresentam sequelas graves. A Polícia Civil indiciou os suspeitos por exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica e homicídio com dolo eventual.
Como checar o registro do seu médico
Especialistas recomendam que o paciente sempre verifique a situação do profissional. É possível realizar essa consulta gratuitamente no site oficial do Cremesp ou do Conselho Federal de Medicina. Basta inserir o nome completo ou o número do registro para confirmar a especialidade.
A investigação segue sob sigilo para identificar se há mais envolvidos no esquema de falsificação. Você pode acompanhar os desdobramentos criminais da operação em São Paulo e ver as orientações para segurança do paciente. O caso reacende o debate sobre a fiscalização em unidades de pronto-atendimento.