O Ministério da Saúde identificou casos da chamada gripe K em amostras analisadas no Pará, confirmando que o subclado K do vírus influenza A (H3N2) já circula em território brasileiro. A descoberta ocorre em meio a alertas globais da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o crescimento acelerado de casos desde outubro em diversos países.
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A OMS registrou aumento expressivo de casos da variante K desde agosto, quando o subclado passou a se espalhar com mais rapidez. O cenário preocupa autoridades sanitárias porque a temporada de gripe no hemisfério sul, incluindo o Brasil, pode começar mais cedo em 2026 e ter maior intensidade que o habitual.
Sintomas são idênticos à gripe comum
Diferente do que o nome sugere, não há sinais exclusivos da gripe K. Febre, mal-estar, dor no corpo, dor de cabeça, tosse, dor de garganta e cansaço continuam sendo os sinais mais comuns. Não existe um sintoma diferente que permita identificar o subclado K sem exames laboratoriais.
O infectologista Thiago Vitoriano, do Hospital Samaritano Higienópolis, explica que a febre pode ser mais alta e mais frequente, apresentando início abrupto principalmente em crianças. Em adultos jovens sem doenças crônicas, a febre e as dores no corpo tendem a melhorar entre o terceiro e o sétimo dia.
Para crianças, o Ministério da Saúde alerta que a febre pode ser mais alta, com presença de linfonodos inchados no pescoço e maior risco de complicações pulmonares, como bronquite e bronquiolite. Sintomas gastrointestinais também são comuns nessa faixa etária.
Já entre idosos, a febre costuma ocorrer mesmo sem outros sintomas e, em geral, não atinge temperaturas tão elevadas, o que dificulta a identificação precoce da doença.
Quando procurar atendimento médico
A maioria dos casos se resolve com repouso, hidratação e medicamentos para controlar febre e dores. No entanto, médicos alertam para sinais que exigem atendimento imediato: falta de ar, dificuldade para respirar, febre persistente acima de 38,5°C mesmo com antitérmicos, dor no peito e confusão mental.
Para grupos de risco, como idosos, gestantes, crianças menores de cinco anos e pessoas com doenças crônicas, a recomendação é buscar avaliação médica ao primeiro sinal de sintomas, mesmo que leves. A infectologista Rita Medeiros, da Sociedade Brasileira de Infectologia, reforça que a não vacinação aumenta a possibilidade de complicações, hospitalizações e morte entre os mais vulneráveis.
Em pessoas com diabetes, asma ou problemas cardíacos, a gripe pode desestabilizar condições que estavam controladas. Alterações nos níveis de glicose, piora da falta de ar ou aumento do cansaço, mesmo com sintomas respiratórios leves, merecem atenção médica.
Vacinação protege contra casos graves
A Anvisa definiu no início de dezembro as cepas que irão compor as vacinas contra influenza no Brasil em 2026. O subtipo A (H3N2) está incluído na formulação, embora o subclado K específico não faça parte da composição. Mesmo assim, especialistas garantem que a imunização reduz drasticamente o risco de evolução para quadros graves.
No Sistema Único de Saúde, a vacina é oferecida gratuitamente para grupos prioritários: crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, puérperas, idosos, trabalhadores da saúde, professores, povos indígenas, pessoas em situação de rua e portadores de doenças crônicas ou deficiência permanente.
A prevenção também passa por medidas simples: higienizar as mãos com frequência, manter ambientes ventilados, usar máscara ao apresentar sintomas respiratórios e evitar contato próximo com pessoas gripadas.
A OMS enfatiza que embora a maioria das pessoas se recupere em cerca de uma semana, a gripe pode evoluir para quadros graves em idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Esses grupos têm maior risco de hospitalização e complicações respiratórias como pneumonia e sinusite.