A tecnologia dos fones de ouvido modernos permite uma imersão sonora sem precedentes, mas esconde um perigo que os médicos classificam como “pandemia silenciosa”. O uso prolongado desses aparelhos em volumes acima de 85 decibéis provoca lesões diretas nas células ciliadas da cóclea. Estas células, responsáveis por traduzir as ondas sonoras em sinais elétricos para o cérebro, não se regeneram uma vez destruídas.
Especialistas explicam que o cérebro humano tem uma capacidade adaptativa perigosa, fazendo com que o usuário se acostume com volumes altos. Como resultado, a pessoa tende a aumentar o som progressivamente para obter a mesma sensação de prazer ou isolamento. Este ciclo vicioso acelera o envelhecimento auditivo, fazendo com que jovens de 20 anos apresentem audição compatível com a de idosos de 60 anos.
O tempo de exposição é tão crítico quanto a intensidade do som. A regra de ouro recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é a “60/60”: nunca ultrapassar 60% do volume máximo e limitar o uso a 60 minutos contínuos. Após esse período, o sistema auditivo necessita de repouso absoluto para recuperar a sensibilidade e evitar processos inflamatórios internos.
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A escolha do modelo de fone também influencia diretamente no risco à saúde. Modelos intra-auriculares, que são inseridos no canal auditivo, aumentam a pressão sonora em até nove decibéis em comparação com os modelos supra-auriculares (os que cobrem a orelha). Além disso, o uso compartilhado desses dispositivos aumenta o risco de infecções bacterianas e fúngicas, que podem agravar quadros de perda de sensibilidade.
Sintomas e Sinais de Alerta
Os primeiros sinais de dano auditivo costumam passar despercebidos pelo usuário. O surgimento de zumbidos constantes, a sensação de ouvido entupido e a dificuldade de compreender conversas em ambientes ruidosos são os principais indicadores de fadiga auditiva. A Sociedade Brasileira de Otologia recomenda que qualquer pessoa com esses sintomas procure um médico otorrinolaringologista imediatamente.
Outro fator preocupante é o isolamento social e os riscos de acidentes urbanos. O uso de fones com cancelamento de ruído em vias públicas impede a percepção de buzinas e sirenes, aumentando as estatísticas de atropelamentos. A prevenção auditiva deve ser encarada como um hábito de higiene diária, fundamental para garantir a qualidade de vida nas próximas décadas.
Prevenção e Tecnologia Assistiva
A indústria de tecnologia já começa a implementar limites automáticos de volume em sistemas operacionais móveis. No entanto, a conscientização individual permanece como a ferramenta mais eficaz. Optar por fones que bloqueiem o ruído externo passivamente permite que o usuário ouça música com clareza em volumes mais baixos, preservando a saúde das células auditivas sem perder a fidelidade sonora.